Um blog de Moda e História

domingo, 15 de dezembro de 2013

A Moda Démodé: a valorização dos brechós

O surgimento dos brechós, no século XIX, traz à tona a relação consumo-moda "nivelada por baixo", bazares e brechós que comercializavam roupas usadas eram frequentados pelas classes baixas, pessoas que não possuíam renda para comprar roupas novas. Usar vestimentas antigas e usadas era sinal de pobreza e falta de "senso de moda".
Eis que alguma mocinha por aí, na manhã do terceiro domingo do mês, encontrou um vestido em algum brechó, desses escondidos em becos que nunca pararíamos para olhar se não fosse aquele vento que bateu e fez voar nossos papéis pela rua. Este vestido chamou atenção de todas as outras mocinhas da cidade, que passaram dias procurando o tal vestido pelas lojas, e descobriram que nunca poderiam tê-lo, pois era de um brechó. Isso mesmo! De um brechó.

O brechó passa a ser o "lugar da exclusividade", afinal, poucas são as vezes que encontramos nas araras duas peças iguais. Além desta questão, observamos também estes estabelecimentos virando febre nos anos 70, justamente, anos os quais várias mocinhas e mocinhos decidiram opor-se à sociedade da época, e, digam-me, qual a maneira mais explícita de expor suas contrariedades? Pela aparência. A aparência destes jovens gritava em defesa da antimoda, defendiam o démodé. A quebra com a cultura de moda, justamente esta que carregava em si os costumes da época, tidos por estes jovens como conservadores e repressores.

E não é que virou moda?

Hoje a busca por peças antigas, algumas agora classificadas como vintages e outras como retrôs, espelha-se na busca por moda! Com a renovação de antigas tendências, peças de épocas passadas ganham um valor precioso, que podem chegar aos níveis de peças novas, de estilistas famosos, ou, ainda, fazerem mocinhas que não acham interessante gastar 100 reais em uma regata lisa, adquirirem peças destes mesmos estilistas famosos por uma bagatela irresistível!
Os brechós, hoje, atendem tanto os colecionadores e aficionados por moda, como aqueles que desejam preços justos. Roupas usadas viraram símbolo de singularidade, estilo (próprio ou baseado em tendências atuais) e economia. Tanto que até no espaço musical os brechós ganharam visibilidade positiva, como neste clipe engraçadíssimo de Macklemore e Ryan Lewis:
Clique AQUI veja a letra.

Com isto, nós decidimos bisbilhotar entre as araras de dois eventos-brechós que aconteceram ontem (sábado) por aqui. Visitamos dois eventos que possuem características bem peculiares e nos dão exemplos da diversificação dos brechós.

O primeiro que visitamos foi o Le Brechó Bardot, realizado pela galera simpaticíssima da loja e galeria Le Circule Galerie Concept. Fomos recebidas pelo Rafael, que gentilmente nos guiou até o ambiente do Brechó.


 Fachada Le Circule Galerie Concept - Foto


É a primeira vez que este evento ocorre na loja e galeria, as roupas à venda foram conseguidas a partir de compra de lote direto das lojas, produtos da própria loja em promoção e doação de alguns parceiros. O evento ocorreu de quinta (12/12) até sábado (14/12), mas Rafael nos adiantou que como a próxima exposição no espaço será daqui alguns meses, eles pretendem deixar o Brechó por lá, então caso você não tenha passado na galeria, vale a pena conferir!
A organização do brechó é de dar inveja a qualquer guarda-roupa desarrumado, além de um espaço lindo, nas araras encontramos peças em excelente estado e de ótimo gosto enquanto na mesa foram colocados colares, brincos, pulseiras e lenços. Os sapatos são de fazer o coração bater mais forte!






Já o Bazar Naftalina Fina não possuía este trato tão conceitual quanto o Le Brechó Bardot, o que não diminuiu a quantidade de achados e excelentes peças! O evento foi uma parceria entre  Coletivo Garagem, Dalaii Store e Cansei de ser Fashion. Lívia Carneiro, que nos apresentou o espaço e as ideias que o compunham, disse que as roupas utilizadas para o evento foram conseguidas de uma maneira mais informal, se assim podemos dizer, ou pertenceram as três lindas organizadoras que estavam à toda durante o Bazar, ou vieram das lojas aqui apresentadas.
As roupas estavam organizadas em stands no espaço do restaurante Bodega do Bacco, que com sua decoração contribuíram para a beleza e para o sucesso do evento. 
Os stands estavam cheios de moças que ao encontrar suas peças preferidas logo já seguravam, para não correr o risco de outra pessoa levar. Os preços eram extremamente justos e foi impossível resistir à tantas boas opções. 
O bazar acontecerá novamente no dia 21 de Dezembro, sábado, dê uma olhada no evento aqui.
Foto: Paula Goulart 

 Foto: Paula Goulart

 Foto: Paula Goulart
 Foto: Paula Goulart

Grace Campos adquiriu um lindo chapéu, desses que transformam até uma havaianas azul com short largado e camisetinha em um look diferenciado!

Como prova de que as roupas fora de moda voltam à moda, essa blusinha que a Suelen está usando, era de sua mãe,  nos idos dos anos 90. Bem oportuna pra a moda azulejo português. Uma boa composição para a visita à um brechó.

Foto: Paula Goulart / Suelen: lookbook

Esta diferença de conceito entre os eventos que participamos só contribui mais ainda para a cidade, e faz das mocinhas uberlandenses mais felizes com tantas boas opções e achados para compor seu guarda-roupa.
Assim pudemos ver como a versatilidade que os brechós ganharam em nossos tempos e em nossa cidade nos auxilia em buscar opções criativas e econômicas em busca da individualidade e do estilo! E o mais interessante, os eventos não eram muito distantes um do outro, o que tornou ainda mais fácil curtir os dois!

O mercado da moda abriu-se aos brechós e vice-e-versa, quem ganha são os consumidores e consumidoras que além de encontrar peças únicas e em bom estado, podem trocar suas roupas que já não saem do armário por outras que o agrade mais!

Agradecemos aos organizadores de cada evento pela atenção e gentileza em nos receber!
Para mais fotos deste dia feliz clique aqui.

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