Um blog de Moda e História

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

ah, a Moda...



Por que jovens historiadoras decidiram falar sobre moda? Outrora Lipovetsky afirmara que a moda é o último estágio da democracia. Conta-se que o surgimento da moda é algo inseparável do surgimento do mundo moderno Ocidental. Gilles Lipovestky assinala que somente a partir da Idade Média foi possível conhecer a ordem própria da moda, da moda como sistema. Ademais, pensar a história da Moda não é somente circunscrevê-la a um universo datado e estanque. A Moda está justamente no ponto em que se desdobra, transforma-se sócio-historicamente e se expande.
Entre os séculos XIV e XIX – a fase inaugural da moda – revelara-se em seus aspectos restritos, ou seja, sendo puramente artesanal e aristocrática. Elevada ao nível das Belas-Artes, a Alta Costura  impôs um universo marcado pela singularidade da criação e o costureiro tornou-se um artista moderno. Momento marcado pelo redimensionamento da criação, com a ascensão das galerias, dos desfiles em modelos vivos, do apelo ao desejo único.
Todavia, entre os anos 1950 e 1960 a sociedade viu emergir um novo sistema da moda em virtude das transformações culturais, sociais, econômicas, dos últimos anos. A Alta Costura foi pouco a pouco perdendo seu lugar de arte de vanguarda e dando espaço à produção em massa. O prêt-à-porter destruiu a arquitetura da moda de cem anos e hoje está “acessível” na loja da esquina.
Nossa intenção aqui, de jovens historiadoras, é trabalhar com esse universo. Não deixamos de lado nossos grandes ícones, não esquecemos Chanel, Karl Lagerfeld, Dior, Givenchy, Yves Saint Laurent, Stella McCartney, Marc Jacobs..., nem nos metemos a pseudo estilistas ou designers. Mas, procuramos trabalhar com a sociabilidade da Moda. Quer você queira quer não, nenhuma escolha na arara de roupas é feita ao acaso. A Moda está aí transitando e você está dentro/fora dela. E, veja bem, nem é preciso muito dinheiro para isso.
Não importa se você não acompanha os desfiles, se não escolhe roupas por tendências, se é contra a ditadura da beleza. O século prêt-à-porter nunca esteve tão em evidência. E, por favor, como diria Chanel, não se acostumem com a feiura.



“A moda consumada vive de paradoxos: sua inconsciência favorece a consciência; suas loucuras, o espírito de tolerância; seu mimetismo, o individualismo; sua frivolidade, o respeito pelos direitos do homem. No filme acelerado da história moderna, começa-se a verificar que, dentre todos os roteiros, o da Moda é o menos pior. ( LIPOVETSKY, G. O Império do efêmero. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p.19)

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