Um blog de Moda e História

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

“...Chanel não sai de moda.”

"Eu criei um estilo para um mundo inteiro.
Vê-se em todas as lojas "estilo Chanel". Não há nada que se assemelhe. Sou escrava do meu estilo. Um estilo não sai da moda; Chanel não sai da moda."
Coco Chanel
A mulher

A história a seguir pode parecer um desses filmes em que a mocinha consegue dinheiro, fama e o amor de vários homens diferentes e quando era só desejo, este era cheio de luxúria e poder, mas esta foi a vida de uma francesa que antes de tudo isso atendia pelo nome de Gabrielle Bonheur Chanel, que com a perda da mãe e a falta de tempo do pai comerciante fugiu do colégio interno e foi para Paris, no primeiro momento seu sonho era ser bailarina ou trabalhar como atriz, o nome “Coco”foi usado como um nome artístico. Conciliando algumas apresentações com o trabalho de costureira, a jovem chamou a atenção de um milionário criador de cavalos Etienne Balsam, tornando-se sua amante.

Balsam a apresenta a um novo mundo regado de luxo, o que mais tarde tornou uma faca de dois gumes para Chanel, que por um lado gostava de viver com toda essa opulência, mas em relação ao estilo, a jovem achava todos aqueles vestidos, colares enormes e chapéus cheios de enfeites completamente desnecessários.
Em meio ao mundo que seu amante a expôs, estava (talvez) o grande amor de sua vida, Arthur Capel, este homem a ajudou a abrir sua primeira loja de chapéus, acessório este que em pouco tempo fez, literalmente,  a cabeça das mulheres.Quando sua vida parecia resolvida, Coco já conseguira expandir os negócios e tinha ao seu lado a companhia do amado Capel, este morre num acidente de carro.
Podemos conferir esta fase da vida da estilista no filme “Coco Antes de Chanel” (2009, Warner Bros) que traz Audrey Tautou interpretando uma Coco Chanel com gênio forte  e que se sentia incomodada com os vestidos cheios de camadas (e apertos) que as mulheres usavam, mas ao mesmo tempo, uma mulher que amava e era amada por Capel.


Vale conferir o filme para perceber melhor o debate estético que Chanel estava inserida, transpondo itens tidos como masculinos para a moda feminina, sem que a mulher perdesse sua essência delicada.


Mesmo vivendo no luto, Chanel nunca deixou de se relacionar com a classe intelectual da época, entre eles o coreógrafo  Diaghilev, a bailarina Isadora Duncan, os artistas Jean Cocteau, Picasso, Salvador Dalí e o duque de Westminster (com quem passou algumas noites junto), este era conhecido de Igor Stravinski,que se apaixona pela estilista, este caso deve ter sido um dos mais picantes da listinha de Chanel, pois imaginem só quando duas figuras que viveram no limite da arte e da vida, resolvem  se entregar ao prazer.


Coco Chanel & Igor Stravinsky “ (2009, Imovision) retrata, especificamente, este romance da estilista, todo o figurino do filme são da própria marca. No longa, a atriz Anna Mouglalis (que já foi a cara da Chanel anos atrás), interpreta uma Chanel na linha tênue entre sedução e mistério, com certeza, uma mulher madura que ganhou da vida não só alegrias, no papel de Stravinski temos Mads Mikkelsen (lindo, maravilhoso,sexy...ok parei) que consegue transpor toda a genialidade e até mesmo o desejo latente que sentia pela francesa.

(não querendo aparecer tarada, mas as cenas entre os dois pega fogo!)


 

Quando veio a Segunda Guerra Mundial, Chanel resolveu fechar suas lojas, pois segundo ela aquele momento não era para a moda, houve alguns boatos que a estilista esteve mais envolvida na guerra do que pensamos, para acompanhar um pouco esta história temos o livro “Dormindo com o Inimigo: A Guerra Secreta de Coco Chanel” (VAUGHAN, Hal. Companhia das Letras).  Não li o livro, mas o pouco que li percebi que fala também  sobre esse período pré guerra e  como a francesa tinha problemas com a solidão.

 

Quando a marca voltou à ativa, em 1954, seu desfile não agradou muito os parisienses, no entanto os americanos ficaram encantados com a coleção, tornando-se assim seus maiores compradores. No ano de 1971,  Gabrielle Bonheur Chanel faleceu.

 


A Marca

 

Praticamente, Coco Chanel libertou as mulheres, tirou delas o “direito” de usarem babados, vestidos com diversas camadas etc. O grande triunfo de Chanel foi a inserção de novas peças no vestuário feminino, uns dos itens foi a calça para as mulheres, calças acinturadas que começaram a ser usadas em diversas ocasiões pelas mulheres. Uma grande inspiração da estilista foi a roupa dos marinheiros, primeiro as listras depois as blusas com gola rolês.

 

Outra referencia é o casaco mais curto preto de tweed, sem golas;


 Saias plissadas e mais acinturadas, vestidos com cortes retos e em três cores: preto, vermelho e beje, e por falando em cores o preto e branco se tornou uma referência de estilo, os sapatos com saltos baixos caíram no gosto das mulheres.

 

Depois de sua morte, quem praticamente assumiu a marca foi Karl Lagerfeld, um alemão que até hoje consegue dar um tom moderno para as peças, mas sem perder o referencial de Chanel. Neste ano, o estilista organizou um livro chamado “The Little Black Jacket” com várias reinterpretações da jaqueta preta de tweed desenhada por Coco, este evento originou uma exposição que percorreu o mundo e que no meio do ano chegou a São Paulo.

Na última Paris Fashion Week, Lagerfeld decorou o ambiente com ícones da marca, como o próprio símbolo, as bolsas e o perfume.

 

O último desfile na marca foi no Texas, no qual Lagerfeld montou um cenário de faroeste, esse clima de bang bang teve muitas influencias para a sua coleção, misturando muitos peças com penas, botas , chapéus...



Esse evento serviu também para que o estilista mostrasse o novo rosto da Chanel, a atriz Kristen Stewart (que eu acho que possui um corpo até bonitinho, mas a cara é feia) sua antecessora a também atriz Keira Knightley, possuía um estilo mais parecido com a marca. Falando nas musas da Chanel, Karl já comprou muitas brigas por dizer mal de algumas famosas que possui um corpo um pouco diferente do padrão das passarelas, um dos alvos de crítica foi a cantora Adele, que depois acabou ganhando duas coleções completas de bolsas e acessórios da Chanel como pedido de desculpa do estilista.

(http://www.garotasestupidas.com/wp-content/uploads/2013/12/chanel-gente1.jpg)

 


Como percebemos, Gabrielle morreu nos anos 70, sofrendo de solidão ou não, ela libertou a mulher de um estilo de roupas nada confortáveis e mostrou que simples é elegante, deste modo Coco Chanel nunca morreu, permanece viva em qualquer jovem que tenha a audácia de misturar a moda masculina e feminina e continuar sendo elegante.

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