Um blog de Moda e História

domingo, 5 de janeiro de 2014

Especial de verão – de pijamas à minúsculos biquínis (ou monoquínis)



1920 -1930

A euforia no pós Primeira Guerra Mundial também foi evidenciada pela prática de esportes, o que gerou, concomitantemente, uma nova inserção do mundo da moda. O esporte, “acessível” a todos, cunhou o lugar responsável pelo incentivo à boa forma física e ao regime de exercícios. Nos anos 1920 surgem as primeiras roupas desenhadas especificamente para o esporte, tendo como principal expoente Jean Patou (1887-1936). Inaugurava-se a nudez controlada.  
Jean Patou, “libertou as mulheres da constrição de roupas esportivas em múltiplas camadas e introduziu o conceito de ‘nudez’ pública na forma de vestidos sem mangas usados com as pernas nuas.” (FOOG, Marnie. Fashion: The Wholy Story / Tudo sobre Moda. Rio de Janeiro: Sextante, 201. P.252)
Para Manie Foog, já nos anos 1930 ganharia espaço os trajes de banho (também ligados em grande medida às práticas esportivas), com decotes em V, laços e amarrações, permitiam uma maior circulação de fotos com “nudez”.  Posteriormente utilizados em diferentes momentos de lazer os pijamas de praia viraram tendência, e tiveram grande influência da moda Chanel. Ombros à mostra se tornaram o sex appeal do momento.





“À medida que mais mulheres começavam a fazer dietas e exercícios, elas podiam usar modelos mais desestruturados, cortados em tecidos esvoaçantes como a meia-malha para os trajes diurnos práticos e o crepe da china para os pijamas casuais noturnos” (FOOG, Marnie. Fashion: The Wholy Story / Tudo sobre Moda. Rio de Janeiro: Sextante, 201. P.257)




A indústria da malha foi responsável durante anos pela fabricação de trajes de banho, e, cada vez mais, tornou-se visível nas propagandas das grandes marcas a associação à boa forma e a um estilo de vida despojado e alegre. Fica fácil perceber isso pela valorização das curvas e a diferenciada cartela de cores que agora compunham os trajes de banho, movimento que recebeu grande destaque com as pin-ups. Na imagem acima podemos observar os decotes em V, os macacões de praia feitos com tecido que aparentam frescor e ainda marcante influência do estilo marinheiro. Se por um lado temos os shorts justos estilo pin-up também a indústria da moda apresentava o polo oposto com calças e macacões largos e leves. Pouco depois veríamos o biquíni, ainda composto por alguns desses elementos (como a variação de cores, o estilo marinheiro, etc), só que menores...





O biquíni, utilizado e mostrado nas pinturas de  pin-ups, também ganhou as telas do cinema. Não é difícil se lembrar de alguma cenas em que a bela Brigitte Bardot, como assinala Fogg, aparecia exibindo um.




1940: do sutiã-cone  ao biquíni

O sutiã-cone bastante evidenciado nos anos 1940 em diversas propagandas representaria também um primeiro passo para a nudez “aceita e divulgada”. Ainda que representado em tons brancos virginais era um item de extrema sensualidade do guarda-roupa feminino. ((re)evidenciado pela cantora pop Madonna pouco tempo atrás).




Somente em 1947 ocorreu a invenção, de fato, do biquíni, por Louis Réard. Não recebido sem inquietação devido a exposição de mais partes do corpo, inclusive da barriga inteira à mostra, já que o que se via até então era apenas o estilo “estômago de fora”. No novo modelo pouco era escondido, as coxas ficaram totalmente à mostra assim como a parte superior do busto. Não importava o modelo, se com alcinhas ou sem, parecia que em termos de exposição do corpo nas passarelas e nos momentos de lazer, tudo já havia sido feito. Até que em 1964 surge o monoquíni.




1964

O primeiro monoquíni surgiu em 1962, criado pelo estilista Rudi Gernreich, e embora tenha sido feito para ser usado por homens e mulheres podemos identificá-lo como primeiro grito de liberdade em relação ao topless. Ainda que tenha causado grande polêmica, especialmente entre os religiosos, atingiu um elevado número de vendas e popularizou-se durante muito tempo.


 Na foto temos a famosa modelo capa do monoquíni, Peggy Moffitt.

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Se outrora a atração era provocada por ombros à mostra ou um decote em V (bem distante do que vemos hoje por aí, vale lembrar), atualmente o que vemos nos clubes e praias são minúsculos biquínis talvez capazes de causar mais polêmicas do que o monoquíni de 1964, se levássemos uma foto das praias brasileiras para o passado. Com diversas cores, modelos, tamanhos, combinações e descombinações, não fica difícil perder o bom senso e utilizar uma peça não condizente com seu corpo ou idade. Sim, eu acredito que a escolha das peças deve levar em consideração esses quesitos básicos. Mas, a moda (ou falta dela) dos biquínis atuais será assunto de outro post. No mais, desejamos um ótimo (e com bom senso na escolha de biquínis) Verão!


Welcome summer and holiday!



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